sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Cansada...

Queria matar essa falta de não sei o que. O indefinível vazio que persegue minha essência e me envenena aos poucos.
Ontem fiz meu mapa astral, ou melhor, tentei e percebi que esse veneno corre em minhas veias e faz parte de mim. Cansei de ser eu mesma, queria inventar um outro alguém. E invento, fácil. Uma nova mulher, um novo amor, uma nova vida que só existe no mundo abstrato. Ela é parte de mim e não é, ao mesmo tempo. É o oposto que anseio e renego. Se sou a santa meditativa, ela é a pomba gira desbocada. Se sou a água da vida, ela é fogo que aniquila.
Cansei de procurar palavras, cansei das expectativas. Estou feliz e ao mesmo tempo deprimida. E essa dualidade me confunde e cansa. Cansei de ter saudade do que nunca foi.
Ser o que somos condicionadas a ser, confunde e cansa. Somos ou temos que ser mulheres bonitas, esposinhas, mães, namoradas, amigas e quem não é fica desesperadamente procurando ser. Procurando o homem ideal, a casa de cerquinha branca, as crianças e o cachorrinho correndo pelo quintal contrariando totalmente nossa realidade urbana, imunda e poluída de violência onde um final feliz com o príncipe ou sapo, não combina nada com a baldiação as 18hrs na Sé e nem a paisagem da Av. Paulista.
Ser santa é ser tonta, ser livre é ser puta. Ser apegada demais é ser tonta, ser desapegada demais é ser puta. A tão superficial definição que nos faz não saber o que queremos e vivermos em torno do alguém que nunca vai preencher o vazio.
Sabe de uma coisa, não adianta escrever para alguém que existe ou que não existe, sobre toda essa imensidão de ser mulher. Não adianta, porque só entende quem é mulher ou quem não pode ser seu. Ele pode ser bonito, preencher todos os requisitos, mas não vai ser seu...porque não existe tal manifestação da perfeição. Ou melhor, ela existe, no ápice da paixão. Sabe quando ele te olha e você fica sem fôlego, a perna bamba, as mãos suam seu coração dispara e você quer que ele te rasgue inteira? Pura química da paixão com prazo de validade.
Talvez eu esteja sendo fria, mas a gente precisa ser se procura o amor. Um dia a euforia acaba e o que resta são os laços mais puros e sinceros que possam existir. O desejo de compartilhar, de caminhar lado a lado, sem a loucura de possuir o que já é seu desde o primeiro olhar e claro, todo começo tem sua euforia e loucura que se acalma mas ainda te faz ser louca por ele, tão louca que essa falta, esse vazio, esse desejo de ficar sem fôlego e com borboletas no estômago se tornam uma gostosa lembrança de uma fase louca e feliz. Mas cansa....Cansa ser mulher, ter tpm, chorar com romances de finais felizes possíveis e impossíveis. Cansa querer ser Julieta, cansa porque eles querem as menininhas pra casar e também querem a loira gostosa que todo mundo conhece o gosto, cansa ser santa e ter que negar seu lado puta, cansa querer amor e querer paixão. Cansa, essa falta não sei do que...
Cansa...e eu continuo te amando.

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